O teorema do limoeiro e a garupa do tempo
10 abril 2026
Regressei ao mesmo pátio. Há lugares que não se deixam esgotar numa única visita porque não são estáticos; são organismos vivos, caleidoscópios de textura e luz. Voltar ali não é repetir um gesto — é procurar o ângulo que a pressa da véspera deixou escapar. É um exercício quase monástico, de quem prefere a profundidade à distância. O cenário, à primeira vista simples, revela uma composição de luxo descalço: o verde denso da folhagem, o amarelo dos limões a pontuar a cena como notas improvisadas de jazz, a pedra rugosa da fachada granítica tipicamente minhota a segurar décadas de sol e de silêncio. Entre a madeira e os vasos meticulosamente compostos — pequenos oásis que alguém tratou como telas de arte viva — instala-se uma atmosfera de ruralidade sofisticada, tão precisa que parece ter sido editada à mão. E, sem aviso, esse enquadramento empurra-me para dentro das páginas que tenho habitado. Refiro-me aos livros do José da Xã , tesouros autografados que me foram oferecidos pelo autor ...